24.3.10

Que exagero...

por vezes nem se apercebe de atitudes que toma. acha natural sentir alguma dificuldade em distanciar-se de si próprio até um ponto em que consiga medir no preciso momento de acção o que está a ser pertinente ou exagerado. por vezes sente como seria excelente poder parar o tempo como quem pára a reprodução de um filme só porque tem de ir buscar algo para comer ou beber. poder parar o que está a acontecer, respirar um pouco mais pausadamente, renovar as ideias, não ofender ninguém, não pedir de mais, não exigir de mais.

apercebe-se depois que voltou a ser exagerado, que pediu o que não lhe podiam dar. percebe que foi mesquinho e que nada ganhou com isso, a não ser um ponto extra no seu campeonato das batalhas do orgulho e da teimosia. à distância, quando o momento já lá vai e não volta, percebe o erro, percebe mais um erro.

por vezes sente que é exigente em excesso com quem nem sequer algo quer dar. por vezes, mormente quando está com uma pessoa que não a que lhe ocupa o pensamento, tem uma facilidade incrível em encontrar um qualquer defeito que a afaste, que o faça afastar-se. não consegue encontrar a combinação, que agora lhe parece, perfeita noutro lado. e talvez por isso saiba reconhecer que pediu o que do outro lado não podiam dar, que pediu o que, muito provavelmente, nem queria receber. pediu por pedir... porque é exagerado, porque é exigente, porque é estranho.

ps - sim, antes que façam perguntas, este é auto-biográfico :p

2 comentários:

  1. e está fantástico.
    a exigência nem sempre é má, no entanto a fasquia pode estar tão alta que pouca coisa satisfaz.
    Dava um horóscopo jeitoso..
    A*

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  2. é engraçada a forma como nós, estranhos, tratamos assim os outros. mas estarei incorrecta ao proferir que quando se encontra o pretendido é difícil perdê-lo de vista?
    ele é a minha escolha, espero ser a dele. (who knows?)

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