'you can't always get what you want. but if you try sometimes you might find, you get what you need.'
Rolling Stones
queria-a quando não a tinha, quando ainda nem sequer se aproximava do caminho que a transformaria num apetecido fruto proibido. queria uma conversa, uma provocação, queria um sorriso que crescia ao ritmo dos avanços da relação que iam construindo. queria a sua atenção, queria poder ver com clara definição o que viria pela frente, queria o toque, queria a confirmação de que não estava a interpretar mal os sinais que iam sendo plantados. queria saber se também do outro lado recebiam com um sorriso pouco controlado as palavras de afecto, de provocação, ou o simples bom dia matinal. queria saber se a deixava corada com uma ou outra palavra, um ou outro gesto.
olhava para o relógio na esperança de que o dia passasse a correr, que chegasse a hora que tinham feito sua, onde riam, sorriam, falavam disto, daquilo, de ontem, de hoje, de amanhã, da próxima década. olhava para o relógio sempre na expectativa de que o ponteiro das horas tivesse avançado subitamente e lhe indicasse que chegava o melhor momento do dia, a parte em partilhariam mais um momento, mais um olhar, mais confissões, em que caminhavam no mesmo sentido. queria que nesses momentos o relógio parasse, para poder saborear lentamente todos os minutos que passava na sua companhia, todos os segundos que lhe tiravam a capa de fruto proibido.
queria. bastante até. queria e sentia-o sem equívocos. cresciam certezas que ainda hoje perduram.
perdura a certeza de que nem sempre pode ter o que quer, e que nem sempre querer é poder. talvez neste momento querer não seja suficiente para a ter, mas continua a querer. continua, até que um dia querer signifique poder.
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