no outro dia voltei a andar de autocarro.
já não me lembrava da última vez que tinha entrado num transporte público urbano, tão habituado que estava ao cu tremido no velho carro verde.
já não me lembrava das histórias que por ali viajavam, contadas para o banco do lado, mas que todos podem roubar e ouvir. no entanto a conversa é, agora, menos frequente - auscultadores nos ouvidos, música a correr, teclas de telemóvel sempre a serem atingidas. quando vinha da escola e não queria trocar palavras, encostava a testa nas grandes janelas laterais, tentava abstrair-me do acumulado cheiro a transpiração e sujidade, e poisava os olhos em qualquer coisa que lá fora vivesse.
nesta viagem fiquei a saber que um pequeno bebé, já sabia contar até um certo número e sabia que tinha estado na estação de Aveiro para ir no comboio que o transportou até ao avião. muito se gabou aquela avó. mas não estou a criticar. gosto de ver demonstrações de amor.
fiquei a saber outros episódios mais. fique a saber mas logo esqueci, no fundo não passavam de histórias de autocarro. podem entreter ou enervar durante os quilómetros corridos, até que sinto a força da inércia empurrar-me o corpo, olho pela janela e 'foda-se, já passou a minha saída'.
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