vi claramente, sem precisar de qualquer tipo de graduação ocular. vi a tua sede de desejo aumentar, vi a tua respiração acelerar, acelerar ao ponto de se tornar ofegante. vi o brilho nos olhos e o sorriso malandro e provocador, o sorriso de quem sabia o que estava a fazer, de quem sabia o que estava a conseguir. vi que sabias o que fazer, e que movimento dar aos nossos corpos para que ambos chegassem ao mesmo destino.
senti a temperatura subir, apesar de cada vez ter menos roupa a aconchegar meu corpo. senti que não te querias ir embora e que o momento iria durar algum tempo mais, e que continuarias a surpreender-me de forma bastante positiva. senti que se fechasse os olhos saborearia melhor, apesar de isso me impossibilitar olhar-te nos olhos, apesar de isso me impossibilitar de apreciar a beleza natural que sempre trazes, quer saias de casa depois de horas ao espelho, e um olhar mais enquanto desces de elevador, ou mesmo que saias directamente sem parar para confirmar se está tudo bem. decidi manter os olhos bem abertos.
ao brilho dos olhos juntaste a sofreguidão de uns beijos inundados numa ternura lânguida. percorrias-me com os teus lábios, sabias que a paragem no pescoço traria resultados evidentes. por esta altura as ondulações do teu cabelo iam envolvendo meu rosto, perdido num aroma que sempre me despertou, que sempre me agradou. o calor começava a ser mais que muito, mas sabias exactamente o que fazer para que o momento caminhasse para a nota perfeita. sentindo que ainda tinhas mais para dar decidiste juntar ao desfile de prazer o toque suave e intenso das tuas mãos hábeis. percorrias as minhas costas, deixavas marcas para que não te perdesses no caminho. no meu peito traçavas trilhos que ficariam marcados, primeiro na minha pele, depois na nossa memória.
sem precisar de te dar permissão afastavas a roupa. o pólo tricolor e as suas grossas riscas horizontais enfeitavam o chão dum quarto escuro, apenas iluminado pelo brilho dos teus olhos. como sempre foste defensora da igualdade, decidiste que também tu deverias ir perdendo roupa. descobri uns boxers azuis que destacavam a forma perfeita da tua zona glútea. pegaste na minha mão e conduziste-a até aos teus desejos. o momento era teu, comandavas tudo a teu prazer, não ouvias uma única queixa minha. não me poderia queixar. apenas ouvias provas inequívocas do que estavas a proporcionar, e isso parecia empolgar-te ainda mais já que as consequências aumentavam exponencialmente todo o prazer carnal que parecíamos sentir.
e que seres seríamos nós se conseguíssemos viver sem o prazer carnal, sem a intimidade sensual e sexual que desde cedo nos fascina?
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