14.3.10

Sem sair da almofada

às vezes sentia algumas dificuldades em lembrar-se das aventuras que desbrava deitado na sua cama, envolvido em sonhos estranhos, que misturavam personagens e paisagens com pouco em comum.

esta manhã nem por isso. não teve qualquer dificuldade em lembrar-se do que tinha vivido enquanto dormia. lembrava-se do desejo carnal, de se satisfazer enquanto lhe tocava, de recuperar formas e zonas erógenas que há muito não moravam nas suas rotinas. estranhou sonhar com tamanha exactidão os movimentos e provocações que dois corpos desejosos protagonizavam. estranhou tanto detalhe perfeitamente delineado e enquadrado numa coreografia de gestos e jeitos que unidos teimavam em seguir num ritmo sempre sincronizado, ora calmo, ora intenso.

acordou, e esticou o braço para o lado. infelizmente estava sozinho. foi apenas um sonho, desta feita bastante nítido, mas apenas um sonho. nada mais do que isso.

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