a música parou, oiço silêncio apenas interrompido por pequenos e rápidos sinais de que a agulha chegou aos círculos centrais do disco de vinil. tenho de me levantar e mudar para o Lado B do disco. nem sempre temos vontade de nos levantar, e talvez seja essa um dos grandes motivos de sucesso dos comandos à distância. contudo, levantar-me e caminhar em direcção à velha aparelhagem nada custa.
o movimento é simples. não tão simples como carregar numa tecla e ouvir a música soar. é simples, mas não tão simples, e talvez por isso seja mais interessante e cativante. ou isso, ou a magia transportada de um passado em que víamos os nossos pais construírem colecções de discos com pessoas de penteados extravagantes nas capas. o movimento é simples, faço levantar a agulha, recolho-a até ao ponto de partida onde descansa da actividade que acabou de ter e que tão boas sensações me provocou. pego no disco pelas suas extremidades, vejo se está sujo. não está, mudo para o Lado B, reconduzo a agulha até à extremidade mais distante do centro do disco, e o som quente começa a ecoar pela casa mesmo antes das primeiras notas de música se soltarem.
a magia do lp pode ser justificada de infinitas formas, cada ouvinte tem a sua razão, a sua história. aos meus ouvidos o som parece ser mais quente, mais acolhedor. abrir a capa, retirar a protecção que envolve o disco para que este não se risque, escolher o Lado A ou B, sentar-me confortavelmente, beber um pequeno gole e ouvir os pequenos e suaves estalidos a darem as boas vindas. esta é a magia que encontro nos discos de vinil, esta é a magia que parece tornar a música ainda melhor.
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