5.3.10

Bandas Sonoras (12)

correu as janelas do carro para baixo. deixou que o vento entrasse no seu espaço, e lhe refrescasse a cara. ia conduzindo calmamente, sem pressa, com os faróis a brilharem menos que as estrelas.

lembrou-se do que canta o senhor Chris Martin, no eterno hino dos Coldplay 'look at the stars, look how they shine for you'. olhou para as estrelas, realmente brilhavam. não sabia se brilhavam para ele, nunca foi egoísta a esse ponto. sim, teve momentos de egoísmo, mas nunca os deixou chegar a esse ponto. viu que as estrelas brilhavam, mas não eram os geniais Coldplay que queria ouvir em mais um regresso a casa.

ligar o rádio estava fora de questão. precisava de algo menos badalado que as baladas do Oceano Pacífico da RFM. precisava de uma letra que lhe transmitisse algo, de sons que lhe encostassem a cabeça atrás, que a colassem ao banco. precisava de acordes que o fizessem percutir os ritmos no guiador e no manípulo das mudanças, ali na zona lateral. de cantar no seu tom desafinado, mas cantar numa voz vinda de dentro, mostrando que sentia as palavras que estava a cantar, mesmo que escritas por outra pessoa.

o que ouvir? começou com uns acordes de uma música dum álbum de Ryan Adams, mas Incubus pareceu-lhe melhor...numa viagem de 10 minutos conseguiria ouvir The Warmth e ainda a Summer Romance. músicas de álbuns distintos mas que continuavam no ouvido, apesar de não as ouvir há anos. escolheu Incubus.

chegou contente, após muitas notas soltas e desafinadas, palavras comidas por não se lembrar da letra, refrões exultantes como que a querer acordar as casas por onde passava. chegou contente.

Sem comentários:

Enviar um comentário